Linux Mint 4.0 'Daryna'

Publicado: 15 de abril de 2008 em GNU/LINUX

Uma matéria bem interessante do site GDH, sobre uma distro Gnu/Linux que esta chegando e se destacando sobre a facilidade do manuseio e configuração.

Thom Holwerda
15/04/2008
Publicado originalmente no: http://www.osnews.com/
Tradução: Roberto Bechtlufft

Do site do Linux Mint: “O objetivo do Linux Mint é produzir uma distribuição GNU/Linux para desktops que seja elegante, atualizada e agradável.” Para alcançar este objetivo, o fundador e principal desenvolvedor do Mint, Clement Lefebvre, usou o Ubuntu (que novidade…) como base, acrescentando codecs multimídia à instalação padrão. Com o tempo, o Linux Mint foi se afastando um pouco mais do Ubuntu, adicionando um visual próprio, um gerenciador de pacotes com interface web e ferramentas de configuração (MintTools) à mistura. Eu instalei a última versão estável, a Daryna (4.0), lançada em 15 de outubro do ano passado, para ver do que se tratava.

Os usuários do Ubuntu vão se sentir em casa com o Mint. A base de pacotes do Daryna é o Ubuntu Gutsy Gibbon, e pode-se dizer que esta versão é inspirada nele. A instalação é feita por um live CD. O processo de instalação é simples como o do Ubuntu, mas eu acho que um pouco mais de controle aqui e ali seria muito bem-vindo (principalmente no que tange à seleção de pacotes).

O Mint 4.0 vem com o GNOME 2.20 e o kernel 2.6.22. É importante ressaltar que o Mint é compatível com os repositórios do Ubuntu, e que pode usar todos os pacotes dele. Em outras palavras, o Mint não é um fork. Instalei o Mint em um AMD Athlon XP 1600+ com 64MB de RAM e uma placa de vídeo nVIDIA Geforce 6200 com 128MB de memória de vídeo.

O visual e o desktop do Mint

A primeira diferença que os usuários do Ubuntu vão notar é, obviamente, o visual do Mint, que na minha opinião é bem mais atraente que o marrom e laranja do Ubuntu. O tema Human do Ubuntu já é um especialista em gerar polêmica e eu, particularmente, não gosto dele. Por alguma razão, eu acho que um contraste entre marrom e laranja não fica legal numa interface. Claro que esse visual ajudou a estabelecer a marca “Ubuntu”, mas a primeira coisa que faço depois de instalar o Ubuntu é mudar as margens das janelas, os ícones e o tema. O Mint opta por um azul-escuro mais tradicional para os contrastes, com elementos de verde-menta (sério?) espalhados pelo desktop (principalmente nos ícones).

Eles também incluíram outras coisas legais, como o rajado diagonal nas barras de menu e o engenhoso GNOME panel, o painel de controle do GNOME. Também é bom ver que há pessoas que não estão tentando “unificar” a interface toda. Parece que hoje em dia o quente é fazer o título das janelas, o menu e as barras de ferramenta parecerem uma coisa só, homogênea, mas eu detesto isso porque acaba prejudicando seriamente a diferenciação entre os vários elementos. No tema padrão do Mint, os títulos de janelas, o menu e as barras de ferramenta são entidades claramente distintas.

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Mas as mudanças na interface do Mint vão além de meros temas. O layout do desktop também foi modificado. Ao invés dos tradicionais dois painéis do GNOME, o Mint prefere um único painel inferior, que abriga a barra de tarefas, a área de notificação, o menu etc). Eu, particularmente, nunca gostei da idéia de ter dois painéis (especialmente o superior, que rouba muito espaço), então sempre acabo removendo um painel depois de instalar o Ubuntu. Tenho um monitor de 21 polegadas 1680×1050 tela plana, então tenho espaço para botar tudo o que preciso em um único painel.

O Mint também abre mão dos menus Aplicações/Locais/Sistema, preferindo sua própria solução, o MintMenu. O MintMenu é um desses “menus-tudo-em-um”, e embora eu geralmente não goste desse tipo de menu (os do Vista e do KDE 4.0 são um lixo), em comparação com a concorrência o MintMenu é bem razoável. Mas ainda assim ele é meio enjoado de se usar, e é fácil se perder em menus como esse. Por sorte, é bem simples trocar para o menu tradicional do GNOME.

Fica bem claro desde o início que a equipe do Mint se esforçou bastante em criar um visual coerente para a distribuição. Não estamos falando de crianças escolhendo aleatoriamente temas com pingüins desenhados no GnomeLook.org e tacando tudo num live CD do Ubuntu. O visual é customizado, e muito bem pensado; tudo é consistente, desde o tema do GRUB aos ícones e o que estiver pelo caminho. Dessa forma, o Mint oferece uma alternativa bem diferente ao tema Human do Ubuntu.

Programas e ferramentas do Mint

O Mint também traz algumas ferramentas de configuração que você não vai encontrar no Ubuntu. O MintInstall baixa arquivos .mint do Portal de Software do Mint, que é uma espécie de repositório de metapacotes para todo tipo de programa, como Real Player, Opera, Evolution e muitos outros. Na ferramenta de configuração MintDesktop você pode configurar algumas opções do GNOME que normalmente exigem o uso do gconf-editor, como o modo de operação do Nautilus e as opções avançadas de ícones do desktop. Por ele também é possível ligar e desligar o Network Autobrowsing, uma ótima ferramenta que monta automaticamente com o SAMBA as máquinas da sua rede.

O MintUpdate se encarrega da atualização do sistema, que faz exatamente o que você espera de uma ferramenta de atualização (notificações, exclusões etc). Ele até dá notas de 1 a 5 para as atualizações para indicar a importância de cada uma. O MintUpload permite que você suba arquivos para os servidores do Mint clicando neles com o botão direito. O arquivo fica online por dois dias, podendo ser compartilhado com seus amigos.

Ainda que as ferramentas do Mint não sejam muito especiais ou únicas, elas dão um toque especial ao sistema. Não que você vá trocar de distro por causa delas, mas elas são bem legais mesmo assim.

A seleção de programas do Mint também é um pouco diferente da do Ubuntu. A primeira coisa que eu reparei foi que o cliente de email padrão (e o único instalado) é o Thunderbird. Para 95% das pessoas não faz a menor diferença usar o Thunderbird ou o Evolution, mas eu, particularmente, não sou lá muito fã do Thunderbird por motivos que ficam para um outro artigo. É claro que instalar o Evolution (que eu odeio um pouquinho menos) é fácil – você pode usar o Portal de Software ou o apt-get/Synaptic).

A maioria das distribuições GNOME escolhem um player de áudio baseado no Gtk+ ou no Mono, mas devido à demanda popular o Mint traz o Amarok, baseado no KDE/Qt. Eu não gosto nem um pouco do Amarok, mas com as maravilhas do gerenciamento de pacotes isso não tem muita importância. Só uma ressalva: o Mint não oferece nenhum tema que faça o Amarok ou os demais programas baseados no Qt se integrarem visualmente ao Gtk+. Só para você ficar sabendo.

Conclusão

O Linux Mint é uma ótima distribuição. Por certo ele não é revolucionário e, exceto pelo visual, é difícil encontrar vantagens específicas em se usar o Mint e não o Ubuntu. Mas de modo geral, o Mint é um pacote bem coerente, e todos os aspectos do sistema foram muito bem pensados. No visual, então, o Mint chuta o traseiro do Ubuntu. Para mim, usar o Mint significa ter muito menos trabalho depois de uma instalação do Ubuntu. O visual me agrada bem mais do que o do Ubuntu. No Mint é mais fácil acessar algumas configurações importantes para as quais eu teria que usar o gconf-editor, e ele tem sacações interessantes como o Portal de Software, a pré-instalação dos codecs e do Flash.

Há versões do Mint para todos os gostos – com KDE, XFCE, GNOME e versões “light”, sem pacotes protegidos por patentes. O Mint tem todas as vantagens do Ubuntu e mais algumas idéias próprias. Se essas idéias são ou não motivo suficiente para deixar o Ubuntu, cabe a você decidir.


Créditos a Thom Holwerda http://www.osnews.com/
Tradução por Roberto Bechtlufft <robertobech at gmail.com>

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