Saiba mas sobre APT

Publicado: 29 de março de 2008 em ARTIGOS, GNU/LINUX

Introdução

Essa fantástica ferramenta, o APT – Advanced Packaging Tool, é uma maravilha proveniente da distro DEBIAN, mas que já foi portada para outras, tamanho o seu sucesso.

Realmente seu uso é tão simples que muitos usuários não fazem idéia de como ela funciona, ou das características ‘alternativas’ que o APT possui. Neste artigo iremos fazer uma espécie de ‘tradução livre’ dos próprios manuais do Debian e trazer, de maneira tanto acessível como aprofundada, seu uso e grande utilidade.

Configuração

Vamos começar nosso estudo deve começar com a configuração do APT. Existe um arquivo texto que o APT usa como sua fonte (você ouvirá falar muito sobre os ‘sources’). É nesse arquivo que se encontram os endereços para buscar os pacotes. Estamos falando do arquivo /etc/apt/sources.list.

De forma geral, as linhas que contém os endereços possuem o formato abaixo:

deb http://endereço/debian distribuição parte_1 parte_2
deb-src http://endereço/debian distribuição parte_1 parte_2

No acima, o primeiro termo informa o tipo de arquivo desse repositório: .deb fornece arquivos binários e .deb-src fornece os arquivos fonte.

Com bastante cuidado, abra seu sources.list com um editor de texto, e observe sua estrutura. De início, pode parecer confuso, mas a lógica é muito simples. Algumas linha são necessárias mesmo para uma instalação Debian padrão. Além disso, note que o APT sabe lidar com configurações diversas (http, ftp etc).

Se, por qualquer motivo, você alterar a lista de repositório de seu arquivo sources.list, deve digitar no terminal:

# apt-get update

Isso fará que o APT acesse os repositórios indicados no sources.list e atualize a lista de pacotes disponíveis.

Escolhendo espelhos

Como saber qual espelho usar no sources.list? Claro que vai querer o mais rápido. Então faça:

# apt-get install netselect

Isso instalará um software que ‘mede’ a velocidade do servidor que está servindo como espelho, e fornece como saída o endereço do espelho mais ‘rápido’. Então use esse espelho em seu sources.list.

Na instalação do pacote netselect, você verá a tela abaixo:

Pressione <ENTER>, e o netselect estará instalado. Para seu uso, nada mais simples:

# netselect

Escolhendo um CD-ROM

É óbvio que você também pode usar um CD/DVD com os pacotes, principalmente os CDs/DVDs oficiais da sua distro. Nada mais simples. Veja:

# apt-cdrom add

Simples? Realmente. E lembre que, quando da instalação de pacotes, o APT tentará buscar primeiro em seus CDs/DVDs, pois é a opção de ‘download’ mais rápida.

E os pacotes?

E os pacotes? Como instalar, desinstalar etc? Como sempre, o APT torna tudo mais fácil. Primeiro, lembre de atualizar a lista de pacotes regularmente. Isso funciona da seguinte forma: o APT tem uma espécie de lista com as informações dos pacotes, tanto disponíveis para instalação como dos já instalados, incluindo suas versões e tudo o mais. Quando nós pedimos alguma ação do APT, ele confere nessa lista o que for necessário. Faça dessa forma:

# apt-get update

Instalar

Para instalar, o clássico de sempre:

# apt-get install <pacote>

Por exemplo, veja a saída em meu computador da linha de comando “apt-get install python”:

# apt-get install python
Lendo lista de pacotes… Pronto
Construindo árvore de dependências… Pronto
python já é a versão mais nova.
0 pacotes atualizados, 0 pacotes novos instalados, 0 a serem removidos e 62 não atualizados.
1 pacotes não totalmente instalados ou removidos.
É preciso fazer o download de 0B de arquivos.
Depois de desempacotar, 0B adicionais de espaço em disco serão usados.

Ele não instalou nada, pois já tinha o python instalado em minha máquina.

Se por algum motivo você quiser fazer apenas o download dos pacotes, use a opção ‘-d’; dessa forma apenas o download será feito, sem instalação.

Também podemos atualizar um programa usando a opção –reinstall. Veja:

# apt-get –reinstall install python

Remover

Para remover pacotes, nada mais simples:

# apt-get remove <pacote>

Note que, com essa ação, se o pacote que estamos removendo for dependência de outro, este também será removido. É uma idéia simples, pois remover um pacote que é dependência de outro fará com que o último não mais funcione. Portanto, o APT parte do princípio que você está fazendo algo consistente.

Atualizando tudo

O APT consegue fazer coisas incríveis, inclusive atualizar TUDO em uma distro by Debian, de uma só vez. Por exemplo, se você está com a versão 14.0.r4 (de fantasia, óbvio) e conseguiu um CD com a versão 14.1.r6, basta usar isso:

# apt-get upgrade

Mantendo uma versão antiga de um pacote

Às vezes, pelos motivos mais diversos, queremos manter um pacote em sua versão antiga, sem as atualizações. Eu, por exemplo, uso o xmgrace, um programa que lida com gráficos para ciência, na versão anterior, pois acho mais cômodo. Neste caso, as mudanças radicais não me trouxeram ganho de rendimento. O que fazer? Mantenha o pacote antigo. Mas como? Por marcar o pacote. Como assim, ‘marcar’? Faça o seguinte:

#Pacote: <NOMEDOPACOTE>
#Pin: <DEFINA_O_PIN>
#Pin-Priority 999

No espaço <NOMEDOPACOTE> coloque, óbvio, o nome do pacote para ‘marcar’ e reservar a versão. Em <DEFINA_O_PIN> coloque a versão que deve permanecer em uso. A última linha apenas garante que o pacote não sofrerá alteração.

Vamos em frente?

Mais além do básico

Procurando um pacote

Às vezes queremos algo, mas não sabemos exatamente o quê. Por exemplo, procuramos por um software chamado kile, mas não temos certeza do nome do pacote.

Use o seguinte:

$ apt-cache search kile

A saída será algo como:

kile – KDE Integrated LaTeX Environment
kile-i18n – translations for Kile, the KDE Integrated LaTeX Environment

Pronto! Já sabemos o nome do pacote: kile

A sintaxe é clara: “apt-cache search <nome>”

Usando o apt com pacotes em seu próprio HD

E se você tiver um verdadeiro depósito de pacotes Debian (é o meu caso :>), pode usá-los com o APT? É claro! O primeiro passo é criar um diretório para guardar esses arquivos. Veja um exemplo:

# mkdir /root/pacotes_deb

Dentro do diretório /root, digite:

# dpkg-scanpackages debs /dev/null | gzip > debs/pacotes.gz

A linha de comando acima gera um arquivo ‘pacotes.gz’ com informações com respeito aos pacotes, e será usado pelo APT. Por último, adicione em seu sources.list a linha:

deb file:/root pacotes_deb/

Pronto! Use o APT normalmente, e aproveite seus pacotes.

Conclusão

O APT é uma ferramenta fantástica. Como tudo na vida, não é perfeito, mas pode ser usado de forma a facilitar grandemente nossa vida.

Fonte 

comentários
  1. O avatar Info deseja a vc parceiro um otimo final de semana. Abraços.

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