WiMax: a revolução da banda larga vem pelo ar

Publicado: 20 de agosto de 2007 em ARTIGOS
Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!

 

Publicada em 28 de setembro de 2006 às 07h00

 

Atualizada em 06 de outubro de 2006 às 18h40
Fonte

 
Pobre cabo de conexão. O acessório que conecta seu computador à internet está com os dias contados.

O acesso à web por meio de cabos já conta com a feroz competição das cada vez mais populares redes sem fio com a tecnologia Wi-Fi, que saíram do ambiente corporativo para invadir estádios, lanchonetes e teatros, dando liberdade aos usuários.
O próximo round desta briga poderá ser fatal para as tecnologias de acesso à internet de alta velocidade como DSL e cable modem.

Mesmo com brigas políticas, investimentos ainda escassos e supostas rivalidades com outras tecnologias sem fio, as redes WiMax de transmissão de dados ensaiam sua invasão no mercado brasileiro para 2007.

O primeiro passo para o WiMax foi dado em outubro de 2004, quando o Working Group on Broadband Wireless Access Standards, grupo responsável pela padronização de padrões de banda larga sem fio, divulgou a primeira configuração final da tecnologia.

Teoricamente, o WiMax pode ser considerado uma evolução tecnológica do popular Wi-Fi. Tecnicamente, porém, o padrão de comunicação está a quilômetros de distância do Wi-Fi.

Pelo padrão do IEEE, redes WiMax, designadas tecnicamente como 802.16, usam as mesmas ondas eletromagnéticas empregadas em sistemas de internet por rádio. A diferença está na freqüência utilizada e na potencial irradiada.

A comparação com o Wi-Fi chega a ser injusta. Em vez do usual alcance de 30 metros com velocidade de 54 Mbps (megabits por segundo), disponível no 802.11g, protocolo sem fio mais avançado atualmente, redes WiMax alcançam áreas descampadas de 50 quilômetros com velocidade de 70 Mbps.

A velocidade de tráfego aliado ao potencial do sinal permite que uma única antena de WiMax ofereça banda larga sem fio para cerca de 60 usuários domésticos com conexões DSL – como a que você usa em casa para entrar na web.

Em uma região com obstáculos, como prédios e acidentes geográficos, o alcance cai para aproximadamente 15 quilômetros.

Para efeito de comparação, a próxima evolução da Wi-Fi, que chegará em 2007, aumenta a velocidade do tráfego de dados de 540 Mbps, mas seu alcance atingirá 50 metros, cerca de mil vezes menos que o WiMax.

WiMax na prática
O método para acessar redes WiMax seguiria fórmulas já conhecidas tanto pelas operadoras como pelos usuários.

De um lado, os vencedores do processo de licitação promovido pela Anatel para exploração da banda de 3,5 GHz espalhariam antenas pela região escolhida que reflitam o sinal para toda a metrópole, em sistema similar às antenas usadas pelas operadoras de telefonia celular.

O sinal das antenas, então, seria captado pelo chipset do micro do usuário, no formato de um modem ou integrado à placa-mãe do equipamento, que oferece transmissão de dados com banda larga pelas redes WiMax.

Possivelmente, a utilização doméstica do WiMax se assemelha aos atuais serviços de internet que utilizam rádios para prover internet, como a Giro.

Impacto na sociedade
Junto à robustez na transmissão de dados, o grande alcance das redes WiMax a colocam como a principal opção de banda larga doméstica ou corporativa sem fio em cidades de qualquer tamanho ou com um público-alvo baixo o suficiente para não justificar o investimento das teles.

Com uma antena no centro de São Paulo, teoricamente moradores dos bairros de Marsilac e Guaianases, nos extremos sul e leste da cidade, poderiam acessar internet a partir do mesmo sinal.

A presença de antenas refletoras poderia aumentar ainda mais esta região. Atingir uma área tão vasta com os atuais sistemas de banda larga gastaria não apenas quilômetros de cabos, como também grandes investimentos em mão-de-obra.

Não apenas como uma futura opção de banda larga, o WiMax é encarado como uma ferramenta essencial para a inclusão digital em países que, como o Brasil, concentram sua estrutura de internet nos pólos econômicos.

De Campinas, no interior do estado de São Paulo, à região do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, passando por São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, todas as regiões em que as licitações específicas forem compradas no leilão da Anatel poderão contar com acesso a banda larga de maneira similar.

Briga interna de WiMax
O cenário mundial, porém, não é uma rodovia livre para o WiMax. O padrão anunciado pela IEEE no final de 2004 já suscita dúvidas entre analistas de mercado pelo desenvolvimento do formato “irmão” 802.16e, conhecido como WiMax móvel.

Aprovado em fevereiro deste ano pelo IEEE, o WiMax móvel permitirá o que todo usuário espera quando se fala em redes sem fio: mobilidade total.

O primeiro padrão WiMax, que chegará à sua casa nas primeiras redes do tipo, é conhecido como “nomádico” por suas restrições de mobilidade – com ele, o acesso a conteúdo WiMax é feito apenas quando o equipamento estiver parado.

Em uma cidade coberta pelo WiMax convencional, por exemplo, você pode levar seu notebook da empresa para casa e acessar a internet normalmente em ambos os lugares, sem, no entanto, se conectar enquanto estiver em movimento.

As especificações técnicas do padrão 802.16e permitem este acesso às redes mesmo quando o usuário estiver se deslocando.

“No Brasil, vamos direto para o móvel. O fixo começa a cair já em 2007”, acredita o consultor de telecomunicações, Eduardo Prado.

O diretor da consultoria Yankee na América Latina, Luis Minoru, afirma que, mesmo que grande parte da atenção seja dada ao padrão móvel, o brasileiro terá de se acostumar com o fixo.

Além de efetivamente transformar as cidades em gigantescos hotspots, a introdução do WiMax móvel abriria espaço para a transmissões que exigem grande tráfego de dados “on the go”, como a sonhada transmissão de TV pelo celular.

WiMax x 3G
As semelhanças com a telefonia celular não acabam nas antenas espalhadas pela região com a autorização da Anatel.

Com penetração suficiente entre os usuários que justifiquem investimentos das operadoras, as redes WiMax podem ser vistas como eventuais concorrentes do sistema de telefonia 3G.

Encarados como complementares em países onde o sistema de telefonia já foi implementado, o WiMax e o 3G ganham traços de rivais no Brasil graças ao potencial investimento de operadoras poderão fazer em uma ou outra tecnologia.

Atualmente, nenhum dos dois sistemas conta com serviços regularizados que explorem suas especificações completas, muito embora contem com opções disponíveis no mercado que se aproximam da versão final.

Exemplos disto é o Play 3G, da Vivo, que se apresenta como um serviço triple play sem que a Anatel tenha regularizado o protocolo, e acessos, como das provedoras Maxiweb e Neovia, que oferecem um “pré-WiMax”, segundo palavras de Maurício Coutinho, presidente da Neovia.

A rivalidade veio à tona novamente quando o CEO da Motorola, Ed Zander, em visita do Brasil, afirmou que o mercado nacional deveria “pular” a regulamentação do 3G e ir direto ao WiMax.

“Acho que é este o caminho. Do ponto de vista de penetração e redução de preço, o prazo para hardwares WiMax será rápido”, revela Prado, remetendo à queda no custo dos celulares, de “20 mil dólares há anos atrás para 120 reais atualmente”.

“Para que gastar agora com 3G, que é extremamente limitado em transmissão de dados? A comunidade não precisa mais de voz. O filet mignon é a transmissão de dados – a voz estaria no meio de dados pelo VoIP”, defende o consultor.

De um lado, mesmo sem regulamentação, o 3G aparece como uma solução acessível a um prazo menor, principalmente pela alta presença do sistema em mercados internacionais, o que pode baratear os componentes.

Por outro, a robustez do WiMax permitiria que, no futuro, as redes trafegassem protocolos de Voz sobre IP com velocidade e segurança o suficiente para que as redes de telefonia se tornassem “desnecessárias”.

“Tanto o WiMax como o 3G podem ser explorados como banda larga com alta taxa. Pela maior cobertura com custo menor, o primeiro tem potencial para expandir bastante a banda larga no Brasil”, afirma o presidente da Teleco, Eduardo Tude.

A questão do preço, argumentam os analistas, também pode ser facilmente solucionada com o círculo vicioso formado entre o custo e a escala: quanto mais usuários usam os equipamentos, mais baratos e acessíveis eles se tornam.

Sob este ponto de vista, o considerável pioneirismo do Brasil, que prevê as primeiras redes WiMax no mesmo ano em que a operadora norte-americana Sprint implementará a primeira grande rede comercial de WiMax, poderia sair caro, não fosse a participação de grandes empresas.

“Evoluções técnicas até a estabilização poderão forçar novos investimentos em redes sem fio. Este preço do pioneirismo será pago por Motorola, Samsung e Intel, que vem gastando em projetos antes da definição final do WiMax”, afirma Elia SanMiguel, analista de telecomunicações do Gartner.

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